13/10/2013

DIA DO PROFESSOR


No dia de hoje, fui visitar minhas lembranças de infância lá em Governador Valadares/MG e encontrei-me com a figura da minha professora do primeiro ano primário. Dona Ester foi uma das grandes incentivadoras das minhas leituras e da minha escrita. Lembro-me das correções que ela fazia em minhas redações, das palavras de estímulo, dos convites à leitura que ela sempre nos fazia. Lembro-me que ela pedia que lêssemos uma determinada história num livro. Cada aluno ficava de pé e lia, em voz alta, o trecho pedido. E a leitura ia sendo feita, de trecho em trecho, até o final. Aqui e ali ela nos corrigia, mas sem atrapalhar o fluxo da história. Ela gostava de nos premiar com livros. Os alunos que tiravam nota mais alta ganhavam livrinhos de história como presente. Ainda hoje, lembro-me de três livros de histórias, ilustrados, que recebi como recompensa por notas boas nos estudos. E até uma caneta à tinta, com meu nome gravado.

Vocês nem imaginam a minha alegria naquela tarde em que eu voltava para casa, trazendo nas mãos três livros de historinhas infantis e uma caneta de "verdade" (sem ser de esfera, mas de pena metálica alimentada com tinta líquida). A pena era meio dourada, meio mágica, de onde saía o precioso líquido que desenhava as palavras sobre o papel.
Os livros eram: O pequeno polegar, O gato de botas e Dom Texugo. Os dois primeiros eram das edições Melhoramentos. Quanto ao outro não me lembro o nome da editora. Esses e outros livros infantis foram meus companheiros de infância. Lembro-me que eu reunia meus amiguinhos lá da rua Sete de Setembro e, sob uma árvore, eu recontava-lhes as histórias que havia lido.

Preciso registrar também uma homenagem a uma outra professora: minha irmã Noêmia que tinha sido professora na roça e que teve o grande mérito de me alfabetizar em casa, pouco antes de eu entrar para a escola.

O fato de eu já ter entrado para a escola lendo fez um grande diferencial no meu histórico estudantil, pois eu acabei sendo transferido para uma turma de alunos mais avançada, a chamada "turma dos adiantados".

Registro aqui minha homenagem a um cunhado (também chamado José) que desempenhou um papel importante para o meu amor pela leitura, pois ele me abastecia de revistas e livros que comprava, principalmente da Seleções do Reader's Digest, que sempre publicava versões resumidas de romances.

Minha professora durante os quatros do primário foi a Dona Ester. Ela acompanhou minha trajetória de leitor ao longo desse tempo, sempre me incentivando e me fazendo alçar voos cada vez maiores.

Eu gostava tanto de ler que me inscrevi numa biblioteca volante que visitava de quinze em quinze dias o meu bairro lá em minha cidade de Minas, às margens do Rio Doce. Foi assim que li "O morro dos ventos uivantes", de Emily Bronte, dentre outros livros que me marcaram. Na verdade, eu lia de tudo o que me chegava às mãos. Lembro-me de um pequeno livro (que é um fenômeno editorial, pois continua sendo editado até hoje e é o livro mais vendido no mundo depois da Bíblia): O peregrino, de John Bunyan, que narra a saga de um cristão em busca da cidade celestial. Diga-se de passagem que li precocemente a Bíblia inteira, de capa a capa, mesmo sem entender muita coisa que via ali. Mas já me encantando com a poesia que emanava dos Salmos de Davi e com as palavras de sabedoria do Eclesiastes. Cada coisa tem a sua própria estação. Há um tempo para tudo. Assim, entre o sagrado e o profano - representado pelas histórias em quadrinhos que eram contrabandeadas para dentro de casa - ia me aperfeiçoando como leitor.

Então, no dia de hoje, DIA DO PROFESSOR, ao me lembrar da minha professora lá de Minas, a Dona Ester, quero estender essa homenagem a todos os professores e a todas as professoras, de todos os níveis, pela importância do seu trabalho em nossa vida, principalmente como orientadores e incentivadores da leitura.

Bendito todos aqueles que conseguem encantar seus alunos e ajudá-los a cultivar o gosto e o prazer pela leitura e pela escrita.

Vivam todos os professores e todas as professoras desse nosso Brasil que precisa, cada vez mais, ser reconhecido como um país de leitores!!!!!
Salve o DIA DO PROFESSOR!!!!

(José de Castro, jornalista e escritor. Autor de "A marreca de Rebeca" (Paulus/SP), de "Poemares" (Ed. Dimensão/BH) e "A cozinha da Maria Farinha" (Paulinas/SP), dentre outras obras para o público infanto-juvenil.)




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