27/04/16

TRABALHO DE PORTUGUÊS - Análises de narrativas curtas

 ALUNOS DOS 3ºS TERMOS A/B

ENTREGA ATÉ ÚLTIMO DIA ÚTIL DE MAIO

ROTEIRO DO TRABALHO DE PORTUGUÊS (Narrativas curtas)

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• CAPA DIGITADA  (digita a capa e cole na folha)
• ATIVIDADES MANUSCRITAS  ( Dê preferência ao papel almaço 2 páginas)
Identificar os seguintes elementos

 1. Foco Narrativo ( 1ª ou 3ª pessoa)
Escrever um trecho que justifica

2.  Personagens principais: Características físicas e psicológicas

3. Época ( Elementos característicos)

4.  Espaço ( Dê a descrição do espaço)

5.  Assunto ou enredo ( Resumo da situação inicial, quebra da situação, conflito, final)
    ( Fazer um resumo de toda a história lida sem copiar o texto apenas o que entendeu )

6.  Resenha crítica) O que aprendi lendo essa obra?

7. Valeu a pena ler? Por quê?

8.    Breve biografia do autor do conto
(Entrega: último dia útil do mês de maio)



Peixes na floresta - Monteiro Lobato


Era um camponês que tinha uma esposa muito faladeira. Um dia em que ele achou um tesouro enterrado na floresta, trouxe-o para casa e disse à mulher:
— Acabo de descobrir uma grande fortuna, mas temos de escondê-la. Onde será?
A mulher achou melhor enterrarem o tesouro debaixo do assoalho da isbá em que moravam. O camponês concordou. Mas assim que a mulher foi ao poço buscar água, tirou o tesouro dali e escondeu-o em outro lugar.
A mulher veio com a água.
— Mulher mulher — disse o camponês — é preciso que ninguém saiba que temos este tesouro aqui debaixo do assoa lho. Muito cuidado com a língua, ouviu?
Mas como não tinha a menor confiança nela, armou um plano.
— Olhe, amanhã iremos à floresta apanhar peixes. Dizem que estão aparecendo em quantidade.
— O quê? Peixes na floresta? Onde já se viu isso?
— Na floresta você verá. Madrugadinha o camponês levantou-se e foi à vila. Comprou uma porção de peixes, uma porção de aletria e uma lebre. Passou depois pela floresta, espalhando tudo aquilo em vários pontos. A lebre ele fisgou num anzol de linha comprida e jogou n'água.
Chegando em casa, almoçou e convidou a mulher para irem à floresta. Foram. Que beleza! Peixe por toda parte, um aqui, outro ali, outro acolá. A mulher, com gritos de surpresa, ia acomodando a peixada na cesta.
Depois deu com a aletria pendurada de uma árvore.
— Olhe, marido! Aletria pendurada em árvore!...
— Não me espanto de coisa nenhuma — disse o homem. — Nestes últimos dias tem chovido muita massa dessa, que fica assim pendurada das árvores. Mas a gente da aldeia já apanhou quase tudo.
Nisto chegaram à lagoa, onde ele jogara a lebre.
— Espere um pouco, mulher. Esta manhã pus aqui uma linha de anzol com isca para lebre d'água. Vou ver se apanhei alguma.
Puxando a linha apareceu no anzol uma lebre.
— Como é isso? — gritou a mulher. — Lebre d'água? Que coisa espantosa! Nunca ouvi dizer de lebre que morasse em água!...
— Nem eu, mas o fato é que pesquei uma.
  Voltaram para casa com aquela lindíssima colheita e a mulher passou o dia a preparar os peixes e a lebre.
Uma semana depois em toda a redondeza só se falava no tesouro que o camponês descobrira. As autoridades mandaram chamá-lo.
— É verdade que achou um tesouro na floresta? O camponês riu-se.
— Tesouro, eu? Ah, quem me dera achar um!
— Mas sua própria mulher anda assoprando no ouvido de toda gente que você achou um tesouro e o escondeu debaixo do assoalho da sua isbá.
— Minha mulher anda a dizer isso? Coitada! É uma louquinha que não sabe o que diz.
— É verdade, sim! — gritou a mulher, furiosa. — Ele achou um
tesouro, que eu ajudei a enterrar debaixo do assoalho! Louca, eu! É boa...
— Quando foi isso? — perguntou o camponês.
— Na véspera daquele dia em que juntamos peixe na floresta.
— Peixe na floresta? — repetiu o homem, fazendo cara de não entender.
— Sim. No dia em que choveu aletria e você pescou uma lebre d'água.
As autoridades convenceram-se de que a mulher era mesmo louca, e como na busca que deram nada encontrassem debaixo do assoalho da isbá, o caso morreu. O camponês esfregou as mãos, de contente.
— Veja se eu fosse me fiar nela! Estava hoje desmoralizado e com o meu rico tesouro perdido...
 — Que complicação para chegar a esse resultado! — exclamou Narizinho.
— Esse camponês sabia a mulher que tinha.
— E que grande maroto! — disse Pedrinho. — Logrou a mulher, logrou as
autoridades — logrou todo mundo. Freguês mais escovado ainda não vi.
— E isbá, dona Benta, que é? — perguntou Emília.
— É o nome das casas da roça lá na Rússia, em geral de madeira. Casa de roça, aqui nós chamamos rancho, casebre, casa de sapé, mocambo e outras coisas assim. Lá é isbá.
— Gostei da história dos russos — disse Narizinho. — Está pitoresca.
Vamos ver outra de lá mesmo.
— Não. Para variar contarei uma de outra terra muito fria, a Islândia. E dona Benta contou a história de...

Atividades sobre o conto: Copie as questões no caderno e responda

1. Qual o foco narrativo do conto?
2. Qual espaço que ocorrem os fatos?
3. Quem são as personagens? Faça uma descrição delas
4. Faça um breve enredo do conto ( O que você entendeu)
5. Retire do texto palavras que  marcam " ações " em ordem cronológica
6. Faça uma análise crítica baseando nesta pergunta: Atualmente existem pessoas como estas personagens no conto? Como elas são e agem?

J Prof. Jerônimo Abril de 2016


21/04/16

Conversinha mineira - Fernando Sabino





CONVERSINHA MINEIRA

-- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?

-- Sei dizer não senhor: não tomo café.

-- Você é dono do café, não sabe dizer?

-- Ninguém tem reclamado dele não senhor.

-- Então me dá café com leite, pão e manteiga.

-- Café com leite só se for sem leite.

-- Não tem leite?

-- Hoje, não senhor.

-- Por que hoje não?

-- Porque hoje o leiteiro não veio.

-- Ontem ele veio?

-- Ontem não.

-- Quando é que ele vem?

-- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.

-- Mas ali fora está escrito "Leiteria"!

-- Ah, isso está, sim senhor.

-- Quando é que tem leite?

-- Quando o leiteiro vem.

-- Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?

-- O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a coalhada?

-- Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?

-- Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.

-- E há quanto tempo o senhor mora aqui?

-- Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza: um pouco mais, um pouco menos.

-- Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?

-- Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.

-- Para que Partido?

-- Para todos os Partidos, parece.

-- Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.

-- Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro. Nessa mexida...

-- E o Prefeito?

-- Que é que tem o Prefeito?

-- Que tal o Prefeito daqui?

-- O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.

-- Que é que falam dele?

-- Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.

-- Você, certamente, já tem candidato.

-- Quem, eu? Estou esperando as plataformas.

-- Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede, que história é essa?

-- Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí...

Texto extraído do livro "A Mulher do Vizinho", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1962, pág. 144.
Tudo Fernando Sabino em "Biografias".

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Casimiro de Abreu