30/05/2016
27/04/2016
TRABALHO DE PORTUGUÊS - Análises de narrativas curtas
ROTEIRO DO TRABALHO DE PORTUGUÊS (Narrativas curtas)
Acesse o menu contos neste blog escolha um conto ou CLICA AQUI
• CAPA DIGITADA (digita a capa e cole na folha)
• ATIVIDADES MANUSCRITAS ( Dê preferência ao papel almaço 2 folhas )
* Identificar os seguintes elementos
1. Foco Narrativo ( 1ª ou 3ª pessoa)
Escrever um trecho que justifica
2. Personagens principais: Características físicas e psicológicas
3. Época ( Elementos característicos)
4. Espaço ( Dê a descrição do espaço)
5. Assunto ou enredo ( Resumo da situação inicial, quebra da situação, conflito, final)
• ATIVIDADES MANUSCRITAS ( Dê preferência ao papel almaço 2 folhas )
* Identificar os seguintes elementos
1. Foco Narrativo ( 1ª ou 3ª pessoa)
Escrever um trecho que justifica
2. Personagens principais: Características físicas e psicológicas
3. Época ( Elementos característicos)
4. Espaço ( Dê a descrição do espaço)
5. Assunto ou enredo ( Resumo da situação inicial, quebra da situação, conflito, final)
( Fazer um resumo de toda a história lida sem copiar o texto apenas o que entendeu )
6. Resenha crítica) O que aprendi lendo essa obra?
7. Valeu a pena ler? Por quê?
8. Breve biografia do autor do conto
7. Valeu a pena ler? Por quê?
8. Breve biografia do autor do conto
(Entrega: )
Peixes na floresta - Monteiro Lobato
Era um camponês que tinha uma
esposa muito faladeira. Um dia em que ele achou um tesouro enterrado na
floresta, trouxe-o para casa e disse à mulher:
— Acabo de descobrir uma
grande fortuna, mas temos de escondê-la. Onde será?
A mulher achou melhor
enterrarem o tesouro debaixo do assoalho da isbá em que moravam. O camponês
concordou. Mas assim que a mulher foi ao poço buscar água, tirou o tesouro dali
e escondeu-o em outro lugar.
A mulher veio com a água.
— Mulher mulher — disse o
camponês — é preciso que ninguém saiba que temos este tesouro aqui debaixo do
assoa lho. Muito cuidado com a língua, ouviu?
Mas como não tinha a menor
confiança nela, armou um plano.
— Olhe, amanhã iremos à
floresta apanhar peixes. Dizem que estão aparecendo em quantidade.
— O quê? Peixes na floresta?
Onde já se viu isso?
— Na floresta você verá.
Madrugadinha o camponês levantou-se e foi à vila. Comprou uma porção de peixes,
uma porção de aletria e uma lebre. Passou depois pela floresta, espalhando tudo
aquilo em vários pontos. A lebre ele fisgou num anzol de linha comprida e jogou
n'água.
Chegando em casa, almoçou e
convidou a mulher para irem à floresta. Foram. Que beleza! Peixe por toda
parte, um aqui, outro ali, outro acolá. A mulher, com gritos de surpresa, ia
acomodando a peixada na cesta.
Depois deu com a aletria
pendurada de uma árvore.
— Olhe, marido! Aletria
pendurada em árvore!...
— Não me espanto de coisa
nenhuma — disse o homem. — Nestes últimos dias tem chovido muita massa dessa,
que fica assim pendurada das árvores. Mas a gente da aldeia já apanhou quase
tudo.
Nisto chegaram à lagoa, onde
ele jogara a lebre.
— Espere um pouco, mulher.
Esta manhã pus aqui uma linha de anzol com isca para lebre d'água. Vou ver se
apanhei alguma.
Puxando a linha apareceu no
anzol uma lebre.
— Como é isso? — gritou a
mulher. — Lebre d'água? Que coisa espantosa! Nunca ouvi dizer de lebre que
morasse em água!...
— Nem eu, mas o fato é que
pesquei uma.
Voltaram
para casa com aquela lindíssima colheita e a mulher passou o dia a preparar os
peixes e a lebre.
Uma semana depois em toda a
redondeza só se falava no tesouro que o camponês descobrira. As autoridades
mandaram chamá-lo.
— É verdade que achou um
tesouro na floresta? O camponês riu-se.
— Tesouro, eu? Ah, quem me
dera achar um!
— Mas sua própria mulher anda
assoprando no ouvido de toda gente que você achou um tesouro e o escondeu
debaixo do assoalho da sua isbá.
— Minha mulher anda a dizer
isso? Coitada! É uma louquinha que não sabe o que diz.
— É verdade, sim! — gritou a
mulher, furiosa. — Ele achou um
tesouro, que eu ajudei a
enterrar debaixo do assoalho! Louca, eu! É boa...
— Quando foi isso? — perguntou
o camponês.
— Na véspera daquele dia em
que juntamos peixe na floresta.
— Peixe na floresta? — repetiu
o homem, fazendo cara de não entender.
— Sim. No dia em que choveu
aletria e você pescou uma lebre d'água.
As autoridades convenceram-se
de que a mulher era mesmo louca, e como na busca que deram nada encontrassem
debaixo do assoalho da isbá, o caso morreu. O camponês esfregou as mãos, de
contente.
— Veja se eu fosse me fiar
nela! Estava hoje desmoralizado e com o meu rico tesouro perdido...
— Que complicação para chegar a esse
resultado! — exclamou Narizinho.
— Esse camponês sabia a mulher
que tinha.
— E que grande maroto! — disse
Pedrinho. — Logrou a mulher, logrou as
autoridades — logrou todo
mundo. Freguês mais escovado ainda não vi.
— E isbá, dona Benta, que é? —
perguntou Emília.
— É o nome das casas da roça
lá na Rússia, em geral de madeira. Casa de roça, aqui nós chamamos rancho,
casebre, casa de sapé, mocambo e outras coisas assim. Lá é isbá.
— Gostei da história dos
russos — disse Narizinho. — Está pitoresca.
Vamos ver outra de lá mesmo.
— Não. Para variar contarei
uma de outra terra muito fria, a Islândia. E dona Benta contou a história de...
Atividades sobre o conto:
Copie as questões no caderno e responda
1. Qual o foco narrativo do
conto?
2. Qual espaço que ocorrem os
fatos?
3. Quem são as personagens?
Faça uma descrição delas
4. Faça um breve enredo do
conto ( O que você entendeu)
5. Retire do texto palavras
que marcam " ações " em ordem
cronológica
6. Faça uma análise crítica
baseando nesta pergunta: Atualmente existem pessoas como estas personagens no
conto? Como elas são e agem?
J
Prof. Jerônimo Abril de 2016
21/04/2016
Conversinha mineira - Fernando Sabino
CONVERSINHA
MINEIRA
-- É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?
-- Sei dizer não senhor: não tomo café.
-- Você é dono do café, não sabe dizer?
-- Ninguém tem reclamado dele não senhor.
-- Então me dá café com leite, pão e manteiga.
-- Café com leite só se for sem leite.
-- Não tem leite?
-- Hoje, não senhor.
-- Por que hoje não?
-- Porque hoje o leiteiro não veio.
-- Ontem ele veio?
-- Ontem não.
-- Quando é que ele vem?
-- Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não
vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.
-- Mas ali fora está escrito "Leiteria"!
-- Ah, isso está, sim senhor.
-- Quando é que tem leite?
-- Quando o leiteiro vem.
-- Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?
-- O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é
feita a coalhada?
-- Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem
leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?
-- Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.
-- E há quanto tempo o senhor mora aqui?
-- Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir
com certeza: um pouco mais, um pouco menos.
-- Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?
-- Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.
-- Para que Partido?
-- Para todos os Partidos, parece.
-- Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição
aqui.
-- Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam
que outro. Nessa mexida...
-- E o Prefeito?
-- Que é que tem o Prefeito?
-- Que tal o Prefeito daqui?
-- O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.
-- Que é que falam dele?
-- Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é
Prefeito.
-- Você, certamente, já tem candidato.
-- Quem, eu? Estou esperando as plataformas.
-- Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na
parede, que história é essa?
-- Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí...
Texto extraído do livro "A Mulher do Vizinho",
Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1962, pág. 144.
Tudo Fernando Sabino em "Biografias".
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